Só o amor nos salvará. – ECD

“(…)Mas a necessidade de responder implica-se na necessidade de perguntar. Assim se prefere uma resposta que nada responda, ao não responder. (…) Se uma criança pergunta “o que é”, não é decente responder-lhe “cala-te” ou “são línguas de perguntador” porque é talvez mais humano dizer-lhe com doçura uma mentira, se a pergunta é de mais. Mas não sejas em adulto a doçura e a mentira com a criança que ficou em ti, e nem mandes calar. Dá apenas à criança que em ti ficou a resposta do adulto que já és. Mesmo que digas não sei.” (in Pensar, Vergílio Ferreira)

Curiosidade. A história da humanidade é pautada pela curiosidade do Homem, qualidade intrínseca à sua natureza pensadora. Da curiosidade nasce a dúvida, filha da razão pura irmã do pragmatismo. Da vontade de Ser e Ter vem a Liberdade, ou a vontade de experimentar verdadeiramente a Liberdade.

O século XX ficou sobretudo conhecido por ser um século de grandes transformações sociais, politicas, culturais, filosóficas e tecnológicas. O  Homem deste século, atemorizado, mesmo que inconscientemente, com as duas grandes guerras questiona e julga todas as formas de poder estabelecido, lutando por uma sociedade utópica onde o equilíbrio dos sistemas é mantido pelas pessoas, livres de qualquer sistema ou instituição que as controle. É no século XX que o Homem questiona o próprio Homem e os seus desígnios na Terra.

A busca do Homem pela Liberdade torna-se assim neste século, numa interpretação moderna e invertida da “Divina Comédia” começando no Paraíso tecnológico, passando pelo purgatório político e acabando num inferno social.

Adam Curtis retrata em “All Watched Over By Machines Of Loving Grace” a alegoria entre o Homem e a tecnologia, numa relação incerta na qual o Homem, ser dominante, não sabe o que pensar e que posição tomar relativamente à máquina: possuir ou ser possuído, eis a questão. É na incerteza que o Homem vai lidar com a tecnologia, sem nunca chegar a um consenso relativamente à mesma.

-Será esta evolução tecnológica demasiado para o Homem interpretar? Será prejudicial à humanidade?- perguntam-se os grandes pensadores; mas ao ver o documentário de adam Curtis fico com a noção de que não são as maquinas que estão a destruir o Homem, mas sim a ganância, que tal como a curiosidade parece que já nasceu connosco. É na ganância, na busca incessante por poder e riqueza que o Homem mostra a sua natureza animal, que tudo destrói e corrompe em prol dos seus objectivos.

Só o amor nos salvará.

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