Terceira Revolução Industrial

Revolução Industrial é um termo utilizado por alguns historiadores para designar o conjunto de transformações tecnológicas e industriais que, de forma radical, ocorreram no mundo. Esta expressão traduz também uma evolução em termos de regime de produção com a passagem da manufactura para a maquinofactura, com todas as suas alterações e avanços técnicos.

A Primeira Revolução Industrial caracteriza-se sobretudo pela transição da produção artesanal para a produção mecanizada, tendo o seu primeiro registo histórico sido no Reino Unido. Por sua vez a segunda Revolução Industrial ocorre nos EUA, com a passagem e ligação da produção mecanizada ao digital, o que consequentemente irá originar as grandes linhas de montagem e a produção em série; dá-se uma revolução na cultura de consumo. Com uma produção em maior escala e quantidade, as grandes industrias (dos grandes países) vão deslocar-se para países estratégicos, onde a mão de obra e as matérias primas são mais acessíveis,  como é o caso da China e do Vietnam.

Actualmente e como primeira consequência da terceira Revolução Industrial, o processo de fabricação tende a inverter-se. A terceira Revolução Industrial caracteriza-se sobretudo pela invenção da manufactura aditiva, como é o caso da impressora 3D, que nos permite criar peças originais pela adição de layers, e pelo manuseamento dos softwares adequados. Este novo tipo de manufactura torna-se interessante a partir do momento em que nos permite criar o nosso próprio modelo do objecto desejado, e construí-lo com qualidade a um preço acessível, algo que na produção em série seria impossível, tendo em conta o preço a pagar por todos os ajustes que teriam de ser feitos às maquinas (da produção em série) e equipamentos para criar um só objecto “personalizado”. A manufactura aditiva ainda não está desenvolvida o suficiente para cirar um carro ou um telemóvel, mas já está sendo usada na construção de peças fundamentais aos mesmos. Com este novo conceito de manufactura, temos também novas questões essenciais ao consumidor em geral e num caso mais especifico (e do meu interesse) ao designer: Será este novo tipo de manufactura benéfico para a economia? Este novo conceito implica mais ou menos postos de trabalhos? Qual o papel do designer enquanto autor, perante tal ideia?

De acordo com alguns estudiosos da matéria, prevê-se que dentro de alguns anos as impressoras 3D estejam disponíveis para vendas particulares, o que possibilita que cada um de nós venha a ter uma em casa, contudo estas impressoras estão conectadas a softwares com um nível de complexidade muito elevado nos quais só pessoas devidamente qualificadas poderão manusear, o que nos responde parcialmente à primeira questão: mesmo sendo possível adquirir as impressoras é quase de todo impossível manusea-las se formos leigos na matéria. A nível económico, e de uma forma mais generalizada, prevê-se uma desenraização da manufactura em massa, para uma manufactura mais pessoal e personalizada (algo que deverá de todo interessar os designers, enquanto criadores) quase ao mesmo custo da produção em massa, evitando excedentes comerciais e grandes stocks, que já não correspondem ao poder de compra da sociedade e às necessidades da mesma. Tal mudança pode implicar menos trabalhadores, tanto no que diz respeito à distribuição de matérias assim como de manuseamento de softwares, mas todos com a característica de serem especializados na matéria. Esta suposta quebra no número de trabalhadores industriais numa primeira fase, por si só é terrível, e como solução ao problema seria de todo inteligente apostar na formação e aplicação do conhecimento de forma a que com formações básicas e alusivas à nova revolução possam estar todos mais qualificados a trabalhar, no meio em que estão inseridos.

Quanto aos designers, é de todo fundamental existir já um pensamento e ponderação de qual será o seu papel nesta terceira revolução. Perderá o designer industrial o seu papel de autor criativo? Acredito que não; será muito mais facilmente copiado o seu trabalho com materiais mais baratos, mas isso já o é, venham da China os produtos ou sejam feitos em nossa casa com uma impressora 3D, esse risco da originalidade copiada, todos o designers já correm.  Acho que a questão essencial vai ser a adaptação do designer a estas novas maneiras de produção, servindo a propósitos mais sociais e menos pessoais e egocêntricos.  É o advento de uma nova maneira de pensar e produzir.

Neste advento insere-se mais um conceito fundamental: adhocracia. Adhocracia é uma expressão da autoria de Alvin Tofler e popularizada por Robert Waterman com o livro “Adhocracy – The Power to Change” e corresponde ao oposto da burocracia: enquanto a burocracia coloca a ênfase na rigidez das rotinas, a Adhocracia coloca a ênfase na simplificação dos processos e na adaptação da organização a cada situação particular. Robert Waterman define-a como qualquer forma de organização que corta com todos os processos característicos das organizações burocráticas relacionados com a pesquisa e análise de novas oportunidades, resolução de problemas, e obtenção de resultados. A Adhocracia é, desta forma, aplicável a qualquer organização que rompa com as tradicionais normas burocráticas, geralmente dominantes em empresas na sua fase de maturidade. O objectivo da Adhocracia é a detecção de novas oportunidades, resolução de problemas e obtenção de resultados através do incentivo à criatividade individual enquanto caminho para a renovação organizacional, conceito que se adequa perfeitamente ao advento da terceira revolução industrial.

__ Outras Leituras Interessantes __

http://www.domusweb.it/en/design/2013/05/17/adhocracy_the_thirdindustrialrevolution.html

http://www.idsa.org/zach-kaplan-designers-manufacturers-third-industrial-revolution

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